Abril de 2026: O mês mais hackeado da história das criptomoedas com perdas de $635 milhões
Abril de 2026 terminou como o mês com o maior número de hacks na história das finanças descentralizadas. O DefiLlama confirmou entre 28 e 30 explorações distintas, com perdas totais excedendo US$ 625 milhões — um valor que outros rastreadores situam em até US$ 635,24 milhões, o total mensal mais alto desde a violação da exchange Bybit em fevereiro de 2025. O mês registou uma média de quase um ataque por dia, um ritmo que superou em muito qualquer período anteriormente registado.
Dois Ataques, Um Mês, Escala Catastrófica
Os danos do mês foram impulsionados principalmente por dois grandes incidentes. Em 1 de abril, o Drift Protocol em Solana perdeu aproximadamente US$ 285 milhões num ataque de engenharia social associado, segundo relatórios, ao Lazarus Group da Coreia do Norte. Por volta de 18 de abril, a KelpDAO sofreu uma exploração de falsificação de mensagens (message-spoofing) visando uma ponte cross-chain LayerZero, com perdas estimadas em cerca de US$ 293 milhões. Juntos, estes dois eventos representaram a grande maioria das perdas totais de abril.
O hack do Drift Protocol envolveu três semanas de preparação pré-ataque e meses de engenharia social para comprometer os signatários do protocolo, executando a drenagem total em aproximadamente 12 minutos. O hack da KelpDAO explorou uma falha de design de verificador único numa ponte LayerZero, com os lucros sendo posteriormente branqueados através da THORChain, após US$ 75 milhões terem sido congelados em Arbitrum.
Pequenos Incidentes em Todo o Ecossistema
Além das duas explorações principais, os ataques restantes reforçaram o quão ampla a superfície de ataque se tornou em todo o ecossistema DeFi:
- A Rhea Finance perdeu US$ 18,4 milhões, a Grinex US$ 15 milhões, o Wasabi Protocol aproximadamente US$ 5 milhões, e a Volo Vault e a Sweat Foundation US$ 3,5 milhões cada.
- A maioria dos incidentes menores variou de US$ 50.000 a US$ 3–5 milhões, atingindo protocolos de empréstimo, exchanges descentralizadas e soluções de infraestrutura.
- Apesar de erros de código serem a causa raiz da maioria dos hacks, estes representaram apenas cerca de US$ 42 milhões — aproximadamente 6,6% — das perdas totais de abril.
O Papel Desproporcional da Coreia do Norte
Hackers norte-coreanos, operando através de dois grupos distintos, roubaram aproximadamente US$ 577 milhões no acumulado do ano de 2026 — 76% de todas as perdas por hacks de cripto até abril, em apenas alguns incidentes atribuídos. Tanto os ataques ao Drift quanto à KelpDAO foram associados ao cluster TraderTraitor, um subgrupo do Lazarus Group. As violações não foram causadas por erros de código ou ciberintrusões agressivas, mas resultaram de operações de meses que combinaram engenharia social com acesso, de outra forma legítimo, aos protocolos.
Reação do Mercado DeFi
A exploração da KelpDAO provocou levantamentos rápidos em todas as finanças descentralizadas, com mais de US$ 14 mil milhões em valor total bloqueado (TVL) a sair dos protocolos DeFi em poucos dias, concentrados em pontes e plataformas de empréstimo, à medida que os utilizadores reduziam a exposição ao risco cross-chain. Só a Aave caiu de US$ 26,4 mil milhões para cerca de US$ 17,9 mil milhões em TVL após a exploração.
Contexto e Perspetivas
Para comparação, todo o primeiro trimestre de 2026 registou US$ 165,5 milhões em perdas — o total de abril chegou num único mês, tornando-o 3,7 vezes maior do que o Q1 combinado. As perdas cumulativas por hacks no setor DeFi ultrapassaram agora os US$ 17 mil milhões na última década, com os atacantes a desviarem-se cada vez mais dos erros de smart contracts em direção a chaves privadas, infraestrutura de assinatura e engenharia social na camada humana. Investigadores de segurança sinalizaram a arquitetura de pontes cross-chain e a engenharia social como os vetores dominantes que exigem atenção urgente ao entrar no Q2 de 2026.
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